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Entrevista a Rita Ferro Rodrigues

por SIC - Blog, em 03.08.09
Coordenadora de "SIC ao vivo" está ausente do pequeno ecrã há algum tempo. Saudosa da apresentação, Rita Ferro Rodrigues diz-se satisfeita com cargo directivo

Debutou para as lides televisivas com apenas 16 anos no "Caderno Diário" da RTP2. Desde cedo se evidenciou no pequeno ecrã, caminhando num trilho sempre ascendente. Pivô da SIC Notícias ao longo de um ano, Rita Ferro Rodrigues percebeu que a sua vocação se prendia mais com a faceta de apresentadora. Conduziu "Contacto" ao lado de Nuno Graciano, formato que deixou para integrar a direcção de Programas de Carnaxide. Aos 33 anos é, no presente, a coordenadora-executiva do programa itinerante do período de "day-time" da antena do canal.

Que balanço faz de "SIC ao vivo"?

Estamos quase com um mês de emissões. Muito mais do que o objectivo das audiências, o nosso propósito é aproximarmo-nos dos portugueses, num momento em que o país precisa de ser abraçado. Somos uma caravana de 70 pessoas em jeito de embaixadores da SIC. Em termos de balanço não podia ser mais positivo. Tem vindo a superar as melhores expectativas. Não falta público, entusiasmo, carinho, sugestões. Ultrapassa a barreira do programa e abrange toda a SIC. Esse será um dos grandes trunfos.

É um investimento avultado. Têm tido o retorno esperado?

É um investimento muito bem pensado, na senda de uma contenção orçamental grande, numa altura em que a SIC, como outra empresa qualquer em tempos de crise, tem de reduzir custos. É inteligente também do ponto de vista das parcerias, cooperações e patrocínios, nomeadamente das autarquias. Trata-se de um formato viável e com cabimento orçamental. O retorno tem sido extraordinário na forma como somos recebidos. Sentimos que estamos a semear algo que poderemos colher mais tarde, já a médio prazo.

Como entende o facto de, ainda assim, ser ultrapassado em audiências?

Como estação privada, naturalmente, trabalhamos para as audiências. Tentamos superar-nos a nós próprios. Sabíamos que seria uma batalha difícil, um empreitada complicada. De manhã temos adversários muito fortes. Porém temos recuperado público para a antena da SIC, sobretudo nesse horário. Há muito a melhorar e fazemos um esforço para agradar a mais pessoas. Sinto que nos reconciliámos com uma geração mais jovem que andava apartada do canal. Este é um programa que não exclui ninguém. A sua lógica é muito positiva e, apesar de apontamentos emocionais, tem música, surpresas e alegria.

Como se justifica a conquista desse "target" mais novo?

Explica-se à luz da imagem que a SIC está a tentar projectar, que assenta na abrangência da família inteira. Temos levado a cabo um "refresh" mais "light" da programação, de que "TGV" e "Salve-se quem puder" são também exemplos.

Que retrospectiva faz do cargo que assumiu na direcção de Programas?

Eu não sinto que assumi qualquer cargo, não me lembro disso nem faço essa abordagem. Todavia, tem sido uma experiência muito gratificante. A oportunidade de liderar uma equipa como esta é algo que me dá uma bagagem muito importante a nível de crescimento profissional, que me irá render no futuro.

Como é o perfil da Rita como chefe?

Sou igual a mim própria na vida, embora requeira capacidade de liderança e algum pulso. Acredito profundamente, é, aliás, a minha filosofia de vida, que quando as pessoas são tratadas com respeito e vêm o seu trabalho reconhecido, as coisas funcionam bem. Rigor e exigência são premissas fundamentais, mas é qualquer coisa tácita, não preciso de invocar as palavras.

Gosta de estar no "backstage"?

Ando sempre a correr de um lado para o outro, a mil à hora. Temos um dia que não pára, sempre a dar autógrafos e beijinhos, é muito engraçado. Sinal de que a SIC está viva é este carinho que nos orgulha.

Não sente saudades de um contacto mais directo com o público?

Muitas. Às vezes estou na "régie" e apetece-me passar para a apresentação. Comunicar e apresentar programas é o que mais gosto de fazer.

Por falar em "Contacto", ficou uma nostalgia ao abandonaro programa? Existe uma espécie de apego quase maternal com os conteúdos em que está inserida?

Sinceramente não ficou nostalgia. Na altura estava exausta e a precisar mesmo de sair, pelo que o convite do Nuno Santos surgiu no momento certo. Guardo óptimas recordações. Há um apego sim aos horários. Mas o desprendimento é automático, nem tão pouco necessito de fazer um período de luto. Já não estou no pequeno ecrã há cerca de um ano, mas é uma relação cuja gestão faço com tranquilidade.

Fica, de certa forma, triste com o final deste "talk show" vespertino?

Estava esgotado. É preciso renovar. Os formatos estavam desgastados e houve claros sinais que era necessário refrescar a grelha. Tudo tem o seu próprio tempo. Um dos trunfos da SIC é não cristalizar.

Também "Fátima" perdeu terreno para a concorrência...

Mas não nos podemos esquecer de que os programas das manhãs da SIC lideraram indiscutivelmente durante cerca de 12 anos.

O que pode revelar da programação que está ser preparada o "day time" na "rentrée"?

Não posso revelar nada, porque sinceramente nada sei. Apenas que está uma equipa competentíssima a tratar do assunto.

A nouva roupagem da SIC permitirá fazer uma corrida de velocidade, de meio-fundo, ou de fundo?

Às vezes há que fazer corridas de 100 metros, mas estou convicta que realmente só se ganha nas grandes maratonas. Resistir quando estamos a perder, mas vencer no fim.

Quando irá conduzir um programa?

Não sei. Até 11 de Setembro estou a coordenar o "SIC ao vivo", penso numa coisa de cada vez, e não conversei com o Nuno até ao momento sobre essa matéria. Tenho valor enquanto apresentadora e por certo a SIC contará comigo.

Que tipo de formato a realizaria?

Os formatos que me realizam têm um denominador comum: tempo para conversar com as pessoas e dar a conhecê-las. São as mais simples que por vezes têm mais para ensinar. É viciante saber que se faz companhia a quem se sente só.

Entrevista retirada do site do Jornal de Noticias (http://www.jn.pt )

 

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