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Portugueses conquistam Brasil

por SIC - Blog, em 11.06.11

Durante muitos anos, o talento português no Brasil era recordado pelo sucesso de artistas como Carmen Miranda, Beatriz Costa ou Amália Rodrigues. No entanto, actualmente são muitos os actores nacionais que têm optado por atravessar o oceano Atlântico para apostar na profissão. Ricardo Pereira é o rosto mais visível do êxito desta nova vaga de emigração para a Meca das telenovelas, onde já conseguiu a desejada posição de galã no horário nobre. Mas há muitos outros, como Paulo Rocha – que está de malas feitas para participar na próxima novela de Aguinaldo Silva, ‘Fina Estampa’ – e Mafalda Pinto, que escolheu o Rio de Janeiro para investir na formação. Também Marina Mota e Maria Vieira se preparam para entrar em ‘Beijo na Boca’, assinada por Miguel Falabella, em que vão contracenar com Ricardo Pereira.

Disputado por todos, o actor português até abandonou mais cedo ‘Insensato Coração’, de Gilberto Braga, onde interpretava o vilão da história, para entrar em ‘Beijo na Boca’. Desde que chegou ao Brasil, na companhia de Joana Solnado, para participar em ‘Como uma Onda’, Ricardo Pereira somou papéis e foi construindo uma sólida carreira que agora dá frutos. "Para quem tem uma carreira no Brasil, chegar a uma novela das oito é o concretizar de um sonho", admite o actor à Correio TV. Sem pôr de parte a possibilidade de continuar a trabalhar no nosso país, Ricardo Pereira sublinha a importância do mercado audiovisual brasileiro. "A Globo é a quarta maior televisão do Mundo, é muito bom para mim trabalhar para este universo. Assistem 90 milhões de pessoas à novela da noite, é aliciante para um actor trabalhar assim e ter as experiências fora do nosso país", realça.

Quem também escolheu o Brasil como destino para investir na carreira foi Mafalda Pinto. Depois de terminar as gravações de ‘Mar de Paixão’, em Novembro, a jovem actriz embarcou para alguns meses de férias mas acabou rendida ao país do samba e diz agora que não tem planos para regressar. Apostada em seguir a via da representação, enquanto os convites não surgem Mafalda Pinto está no Rio de Janeiro a fazer um curso de Teatro.

A parceria entre a Globo e a SIC, que em ‘Laços de Sangue’, por exem-plo, já inclui colaborações ao nível de texto e na preparação de actores, fez crescer o intercâmbio de profissionais. Mas o apelo por trabalhar numa das mais importantes produtoras do Mundo há muito que seduz os portugueses. "Queria ver como é o mecanismo de fazer novelas com a televisão número 1 no Mundo", justifica o actor Joaquim Monchique, que participou em ‘Negócio da China’, também com assinatura de Miguel Falabella, produzida pela Globo e actualmente em exibição nas madrugadas da SIC. "Lá acontece tudo ao mesmo tempo, no mesmo sítio gravam-se três novelas, sete séries, filmes, três ou quatro episódios especiais... São milhares de pessoas a trabalhar", recorda o actor.

O profissionalismo e a experiência de décadas a fazer novelas é outro dos apelos que levam os artistas portugueses a aceitarem os convites do outro lado do Atlântico. "A Globo escolhe os melhores de todas as artes, desde maquilhadores, cabeleireiros, técnicos e actores. Para nós, é maravilhoso", diz Monchique. "Aprende-se muito, a todos os níveis, desde iluminação, realização, escolha de elenco, treino de actores... A produção é gigantesca e os horizontes tornam-se mais amplos", diz o actor.

Maria João Bastos regressou a Portugal depois de ter vivido mais de quatro anos no Brasil mas não fecha a porta a um regresso a terras de Vera Cruz. Actualmente dedicada à carreira em Portugal, a actriz é uma das caras mais queridas dos brasileiros, graças a novelas como ‘O Clone’ e ‘Sabor da Paixão’ mas também no cinema. "Adorei trabalhar lá e vou todos os anos ao Brasil, onde mantenho excelentes relações pessoais e profissionais... E não sei o dia de amanhã", admite.

Maria João reconhece que, na carreira de actor, "é uma mais-valia trabalhar na Globo, uma verdadeira máquina, das maiores produtoras do Mundo e com uma experiência muito vasta". A principal diferença, considera a Ester de ‘Sedução’, "é o dinheiro". "Não há comparação com a nossa realidade, não porque não sejamos capazes de o fazer mas porque a Globo é uma indústria que exporta para o Mundo inteiro, o que gera muito dinheiro, que é depois investido noutras produções, em cenários e guarda-roupas grandiosos". "O investimento arranca muito antes de a novela chegar ao público", sublinha a actriz. "Aprendi muito com eles sobre o trabalho de laboratório", recorda Maria João Bastos.

A crer na posição da Globo, o desejo de Maria João Bastos será cumprido. "A TV Globo está sempre em busca de talentos artísticos para as suas novas produções e sabemos que há excelentes profissionais em Portugal, prontos para actuar de forma semelhante ao que fazemos aqui no Brasil", diz à Correio TV o director da Central Globo de Negócios Internacionais, Ricardo Scalamandre.

"Sabemos que a língua faz com que essa ponte fique ainda mais próxima e estreita. Valorizamos o povo português e sabemos do sucesso que as nossas novelas fazem no País. Pensando nisso, nada melhor do que ter bons nomes da dramaturgia portuguesa nas produções brasileiras, e vice-versa", defende o responsável.

A projecção internacional da carreira também entra nas contas dos actores mas o ‘cachet’ mais elevado é, certamente, outro dos motivos que pesam na decisão de sair. Se em Portugal, por um contrato de exclusividade, um actor ganha por mês "entre 12 e 15 mil euros", no Brasil este valor pode chegar aos 33 mil euros para um profissional como Tony Ramos, que está nos quadros da Globo há cerca de 30 anos, explicou o realizador e produtor brasileiro Atílio Riccó à Correio TV em 2008.

António Barreira, autor de ‘Remédio Santo’ e vencedor de um Emmy internacional para melhor telenovela, defende que "os intercâmbios são saudáveis, porque permitem um crescimento profissional e pessoal, sejam actores, autores ou técnicos". E se no Brasil é mais fácil vingar pela língua, Barreira não esquece o exemplo de Daniela Ruah, nos Estados Unidos da América. "Quem tem talento, é reconhecido aqui como em qualquer parte do Mundo. Se singram é porque têm qualidade", sublinha o argumentista.

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