Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Entrevista: Graziela Massafera

por SIC - Blog, em 18.01.08

Chegou do interior do Brasil ao Rio de Janeiro para participar em ‘Big Brother’, ganhou e pouco depois tornou-se actriz. Estreou-se como Telminha em ‘Páginas da Vida’. Agora é Florinda em ‘Desejo Proibido’, que estreia na SIC. Graziela Massafera conta à Correio TV como tem corrido a sua vida dentro e fora do pequeno ecrã.

Na novela ‘Desejo Proibido’, em estreia na SIC, Graziela Massafera mostra como se dá vida ao mito da Cinderela
Na novela ‘Desejo Proibido’, em estreia na SIC, Graziela Massafera mostra como se dá vida ao mito da Cinderela


- Este é o seu segundo trabalho, como está a correr?

- Há um ditado brasileiro que diz que quem tem muita sorte nasce com o ‘bumbum’ virado para a Lua. Sou eu! Agora a sério, esforço-me e tento fazer o meu melhor, senão já não estava aqui.

- Mas a Globo acreditou no seu talento, senão não a teriam convidado para assinar um contrato até 2010...

- Pois não. Eu estava a fazer ‘Páginas da Vida’, a trabalhar com Tarcísio Meira, Thiago Lacerda e outros. E de repente, em menos de um ano, aqui estou novamente, agora ao lado de Lima Duarte. Se o meu avô fosse vivo eu tinha-o morto de alegria! Era um sonho de toda a família ver-me na TV ao lado destas pessoas... Tenho essa grande sorte e estou a tentar aproveitá-la da melhor forma.

- Ficou nervosa com esse convite?

- Na primeira novela fiquei mais. Agora, fico mais tranquila ao entrar no estúdio. Na primeira vez não. Sabe quando se tem frio e suor ao mesmo tempo? Eu sentia-me assim! De vez em quando ainda fico assim mas já tenho mais tranquilidade ao ouvir a voz do realizador! E esta novela é diferente, é um trabalho de época, passa-se nos anos 30. As meninas não podiam cruzar as pernas, além de um conjunto de outros gestos que tive de aprender. O meu sotaque foi aproveitado mais uma vez mas com um ‘temperinho’ a mais. Está mais ‘mineirinho’!

- E como é fazer de filha do Lima Duarte, para mais na pele de uma rapariga muito travessa?

- Quando nos encontrámos pela primeira vez, olhei para ele e fiquei encantada. Reparei que ele tinha os olhos verdes e disse-lhe isso. E ele respondeu: ‘Quando uma mulher percebe isso já é meio caminhho andado!’ Eu dei uma gargalhada e descontraí, perdi o medo de dizer o que quer que fosse. Porque no início era mais ‘o que é que eu digo? É o Lima Duarte!’

- Não pensou antes como é que o ia tratar, se por senhor Lima ou só por Lima?

- Claro! Mas hoje já estou a comer do pastel dele. Havia um pastel em cena, que os meus ‘noivos’ tentavam oferecer-me, e então eu perguntei-lhe se podia dar uma dentada no pastel dele. Ele tornou-se meu colega e sinto um grande orgulho em poder dizer isso.

- A sua personagem é Florinda, uma menina desesperada por casar.

- Ela mora numa cidade pequenina, no interior de Minas, e tem uma irmã mais velha. Naquela época os pais não deixavam as meninas casar se tivessem uma irmã mais velha. Tinham de casar por ordem. Por isso a minha personagem está à frente da época. Quer saltar etapas e casar primeiro do que a irmã, porque tem medo de ficar para tia. Ela é totalmente neurótica com a ideia do casamento. Por isso mete-se em bastantes confusões e situações engraçadas. É uma personagem cheia de humor.

- Mas ela acaba por se apaixonar, de facto...

- Sim, apaixona-se por um jornalista. Ele é da capital e vem para o interior. Ela deslumbra- -se com ele, mas acho que vai ser enganada. Bem, não sei, porque de repente ele pode ter comprado gato por lebre! Ela é toda certinha, meiga, ambiciosinha, mas quer casar, e não vai ser fácil para ele.

- E o que acontece depois, ela tenta casar com ele?

- Não sei. No início de cada novela há uma sinopse mas na de Manoel Carlos não. Eu li e a história está toda desenhada, mas quando vai para o ar o autor vai vendo junto dos telespectadores o que vai acontecer. É o público quem dirige as novelas. Se o público quiser que determinada personagem morra ela tem de morrer, porque ninguém aguenta. No fundo, o público tem um controlo remoto, por isso tudo pode mudar. Acaba por ser engraçado porque nos filmes e no teatro não é assim.

- Tinha a ideia de que fazer novelas era deste modo?

- Não. É um mundo totalmente diferente porque não sabemos o que vai acontecer. Nem eu, nem quem está em casa. Agora o que sei é que já estou aqui dentro!

- Foi esta vida que imaginou quando entrou para o ‘Big Brother’?

- Não. Eu só queria ganhar dinheiro. Queria trabalhar. Tentei ser modelo mas uma menina do interior, aqui no Brasil, não tem dinheiro para fazer um ‘book’ e virar modelo. Então o que é que faz? Inscreve-se em concursos de beleza no bairro da cidade. Aliás, foi assim que eu comecei, só que não dava dinheiro nenhum. Só ganhava secadores de cabelo. Quando o prémio era um carro eu perdia mas quando era um secador ganhava. Então comecei a pensar: ‘Meu Deus, mas que má sorte, que coisa horrivel! Mas não vou desistir!’ E foi a minha mãe quem insistiu para eu me inscrever no ‘Big Brother’. Eu não queria porque achava que era tudo mentira e que as pessoas eram previamente escolhidas. Achava que era tudo ‘marmelada’. A realidade é que fui escolhida por carta, fui chamada, participei, e foi lá que tudo aconteceu. E já vai fazer três anos.

- O que é que mudou na sua vida profissional?

- Tudo! Só não mudou o que eu penso e o que a minha família me ensinou. Agora, por fora mudou muita coisa. É casa nova, carro, conta no banco. A minha vida hoje é de rainha.

- Como é ser abordada pelo público na rua?

- No Rio de Janeiro é tranquilo. Mas quando vou para o Nor-deste as pessoas são mais carentes. Querem tocar, dar um abraço, beijar, desejar sorte. E isso é bom. Às vezes sou eu que pergunto o que estão a achar da novela e acabo por entrevistar as pessoas! (risos)

- Gosta de viver na cidade do Rio de Janeiro?

- Gosto, apesar de aproveitar pouco. Vou pouco à praia. Fui duas vezes à praia, em duas semanas diferentes, e tiraram- -me fotografias. Essas fotos venderam tanto que pensei ‘vão julgar que eu sou vagabunda, que não trabalho’. Saiu em todo o lado essa foto. Parecia que eu tinha ido todos os dias à praia.

- Como lida com essa falta de privacidade?

- Já me acostumei. Não é que seja falta de privacidade, é mais uma consequência do meu trabalho. Então se eu não me adequar a isso é melhor eu não trabalhar nesta área. Mas como eu gosto...

- Tem a preocupação de se arranjar para sair à rua?

- Não. Penso que as pessoas gostam de gente, acima de tudo. Ando descalça, saio de cabelo preso. Há pessoas que se cruzam comigo na rua e perguntam ‘você é a Grazi?’. Porque não imaginam que eu posso estar a passear a pé num sítio qualquer. As pessoas idolatram um pouco os actores e acho que isso não é bom. Não é preciso idolatrar, nós não somos seres superiores, só temos um trabalho diferente dos outros.

- Vive sozinha?

- Vivo.

- Não se sente só quando chega a casa, já que não tem cá família?

- Tenho a moça que trabalha para mim e peço-lhe que durma lá em casa, para eu não ficar sozinha! Mas também tenho o meu namorado, que agora está a fazer um filme e está em São Paulo. No fim-de-semana estamos sempre juntos. Trabalhamos bastante e é gostoso encontrarmo-nos ao fim-de-semana.

- Sente-se uma menina do interior numa cidade grande?

- Essa pergunta foi boa! (risos) Nunca ninguém a fez! Sinto. Penso que trouxe comigo um pouco do interior, tanto que aqui moro quase no meio do mato, num lugarzinho onde há corujas, passarinhos...

- Costuma ir visitar a família ao interior?

- Ultimamente não. São eles que vêm a minha casa. Até porque aqui há mais novidades. Shoppings, restaurantes...

- Não sente falta de ir lá? Das pessoas, das comidas?

- Vou lá uma vez por ano, porque é longe. Mas a minha mãe e o meu pai vêm muitas vezes cá.

- Tem dito que uma das coisas que a deixam mais feliz nesta profissão é poder ajudar a sua família.

- Isso é tão bom... Tudo aconteceu de forma muito rápida e muito bonita, é quase um conto de fadas. Vocês, quando estão com essas maquininhas assim (gravadores)... vem-me tudo à cabeça. Depois, então, chego a casa e continuo a pensar nisso.

- Não tem medo de que esse sonho desapareça?

- Penso que foi bom enquanto durou, e enquanto durou eu aproveitei. Mas um dia tudo acaba, da mesma forma que um dia toda a gente morre.

- Qual é a sua ambição?

- Ambição? Terminar esta novela com sucesso, tal como foi a primeira. E isso já é querer de mais.

- E teatro, gostava de fazer?

- Era muita pretensão da minha parte querer fazer uma peça de teatro agora. Porque eu não sei. Fui atirada aos leões, mesmo...

- Mas fez formação?

- Fiz a ‘oficina’ da Globo. Depois de ‘Páginas da Vida’, fui colher os frutos, pois não podia trabalhar por fora. Mas consegui vários trabalhos bons. Fiz campanhas publicitárias e vou fazer outra, agora internacional, para a L’Oréal Paris.

- Já conhece a Europa?

- Fui a Paris e a Portugal depois da novela. Chamavam-me Grazi Massafera e fiquei admirada por saberem quem eu era.

DO INTERIOR PARA A GRANDE CIDADE: O SONHO ERA SER MODELO

Graziela Massafera nasceu em Jacarezinho, uma cidade do estado do Paraná (Brasil), há 22 anos. Filha de um pedreiro e uma costureira, há três anos decidiu inscrever-se no ‘Big Brother Brasil’ com um único objectivo, “ganhar dinheiro”. É bem humorada e tímida mas ao mesmo tempo admite gostar da fama, que considera “uma consequência do trabalho”. Em criança sonhava ser modelo mas acabou por ter mais sucesso como actriz. Apesar do curto currículo, destacou-se em ‘Páginas da Vida’, onde fez de Telminha. Agora é Florinda em ‘Desejo Proibido’.

NOVELA: MENINA DOS ANOS 30

Sob a direcção de Marcos Paulo, Massafera é Florinda em ‘Desejo Proibido’, que a SIC começa a transmitir. Florinda é a filha mais nova do Prefeito Viriato (Lima Duarte) e tem um grande sonho, casar. É precisamente devido a esta obsessão que vive um conflito, pois o pai só a deixará subir ao altar depois de a irmã mais velha se casar. A história de ‘Desejo Proibido’ situa-se em 1930 e a Globo construiu uma cidade a condizer com a época. Em Passaperto nada foi esquecido, e para que os actores sintam o ambiente da época até os cheiros foram recriados. O estábulo construído na central de produções da Globo, no Rio de Janeiro, por exemplo, cheira realmente a cavalo.

AULAS PARA ACTORES: DISFARÇAR SOTAQUE

Alguns actores de ‘Desejo Proibido’ tiveram aulas específicas, para a representação das suas personagens. Graziela aprendeu a disfarçar o sotaque mineiro, Eliane Fonseca recebeu aulas de doçaria e Rodrigo Lombardi aprendeu dactilografia.

DESEJO PROIBIDO

Canal: SIC

Estreia: 14.01.08

Hora: 22h00

Formato: Novela
                    

 

 

Texto de: Márcia Bajouco

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:18




Mais sobre mim

foto do autor



Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Janeiro 2008

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031




Arquivo

  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2010
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2009
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2008
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2007
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D